sexta-feira, 6 de outubro de 2017

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA

Kazuo Ishiguro é só “Ish” para os amigos. O novo Nobel da Literatura nasceu em Nagasaki, no Japão, mas vive em Inglaterra desde os cinco anos. É em Londres que faz atualmente a sua vida com a mulher e a filha, apesar de não parecer ser a cidade de que mais gosta. “Se tivesse que escrever um livro sobre Londres, retratava a capital como um vampiro que suga o sangue ao resto do país”, disse numa entrevista ao “The Guardian”.

Esta quinta-feira, 5 de outubro, sucedeu a Bob Dylan e foi o escolhido pela Academia Sueca para receber o maior prémio da literatura. Sempre conhecemos mais Dylan pela música e, apesar de Kazuo Ishiguro ter publicado oito livros, também tem um passado como compositor. Na adolescência chegou a escrever e a gravar canções que enviava a editoras. Nunca foi bem sucedido. Mais tarde acabou por escrever letras para “Breakfast on the Morning Tram”, o álbum da cantora norte-americana Stacey Kent que esteve nomeado para os Grammys em 2007.

“Costumava ver-me como uma espécie de tipo de músico, mas surgiu uma altura em que pensei: este não sou eu. […] Sou das pessoas que usam casacos de veludo com remendos no cotovelo. Foi uma verdadeira decepção”, explicou também ao “The Guardian”.
Estudou inglês e filosofia na Universidade de Kent e tirou o mestrado em escrita criativa na Universidade de East Anglia, em 1980. Antes das primeiras publicações de contos na revista “Granta” e do primeiro romance lançado em 1982 — “As Colinas de Nagasaki”, que chegou a Portugal em 1989 pela Relógio d’Água —, trabalhou a ajudar sem-abrigo em Londres.

O primeiro livro deu-lhe logo a nomeação pela “Granta” como um dos melhores novos escritores britânicos, em 1983. Seguiram-se mais obras e prémios que culminaram agora no Nobel da Literatura. Segundo o “British Council”, “As Colinas de Nagasaki” recebeu o prémio Memorial Winifred Holtby. Depois, com “Um Artista do Mundo Transitório”, conseguiu o Whitbread Book of the Year e a nomeação para o Booker Prize na categoria de ficção. A terceira obra de Kazuo Ishiguro,Os Despojos Do Dia”, de 1989, que chegou a Portugal em 1995, ganhou o Booker Prize de ficção e foi depois adaptado ao cinema. O filme, realizado por James Ivory, contou com a participação de Anthony Hopkins e Emma Thompson. Houve ainda o prémio Cheltenham para “Os Inconsolados” e nomeações para o Whitbread Novel Award e Booker Prize, também em ficção, com “Quando Éramos Órfãos”.

Lançou ainda “Nunca Me Deixes”, adaptado ao cinema em 2010 com realização de Mark Romanek, e “Nocturnos”, com cinco contos. É preciso recuarmos a 2015 para vermos o último livro de Kazuo Ishiguro, “O Gigante Enterrado”, editado em Portugal pela Gradiva, que chegou dez anos depois do último. Além dos livros, escreveu ainda argumentos para os filmes “A Canção Mais Triste do Mundo”, de 2003, que contou com Maria de Medeiros, e “A Condessa Russa”, de 2005, realizado por James Ivory, tal como “Os Despojos Do Dia”. Já para a Channel 4 Televison escreveu “The Gourmet” e “A Profile of Arthur J. Mason”.

“As Colinas de Nagasaki”, 1989
As memórias de Etsuko são colocadas em livro por Kazuo Ishiguro. Etsuko é uma japonesa que vive em Inglaterra depois de um passado de guerra no Japão que a deixou com muitos traumas. Etsuko conta à filha as memórias de uma vizinha com quem viveu antes de vir para Inglaterra. A japonesa teve de lidar com a morte do marido e o suicídio de uma das filhas.

O primeiro livro de Kazuo Ishiguro foi editado em Portugal pela Relógio d’Água em 1989, mas já tinha sido lançado em 1982.
O primeiro livro no novo Nobel.
“Um Artista do Mundo Transitório”, 1986
Situa-se no pós Segunda Guerra Mundial e tem Masuji Ono, um velho pintor, como protagonista. Percebe como sofreu por causa da guerra e como as suas pinturas mudaram a partir daí. O livro aborda a forma como as pessoas mais velhas foram deixadas para trás.
Foi editado em Portugal pela Livro Aberto.

Os Despojos do Dia”, 1991
Conta a história de Stevens, um mordomo que é narrador nesta história. Fala da vida em forma de diário enquanto a narrativa avança no tempo. O relacionamento com uma governanta, Miss Kenton, é o ponto central.
Chegou a Portugal em 1995 pela Gradiva. Ganhou o Booker Prize na categoria de ficção e foi depois adaptado ao cinema num filme realizado por James Ivory e que contou com a participação de Anthony Hopkins e Emma Thompson.

Os Inconsolados”, 1995
O pianista Ryder é a personagem principal de “Os Inconsolados”. Chega a uma cidade da Europa Central para dar o concerto da sua vida, já que é um grande pianista, mas acaba por perder a memória. A história passa-se durante três dias, o tempo que Ryder leva a lutar contra si próprio.

Quando Éramos Órfãos”, de 2000
Christopher Banks torna-se um conhecido detetive em Inglaterra com muitos casos resolvidos que são tema de conversa. Mas há um que nunca conseguiu descobrir: o desaparecimento dos pais em Xangai quando era pequeno. Regressa à cidade da infância para finalmente perceber o que se passou.

Christopher Banks é o protagonista.
“Nunca Me Deixes”, 2005
Kathy, Ruth e Tommy cresceram num colégio interno numa província inglesa, sem qualquer contacto com o mundo exterior. Só mais tarde, aos 31 anos, é que Kathy começa a lembrar-se de episódios perturbadores da infância. O que parecia ter sido um passado feliz, pode não ser real.
Foi adaptado ao cinema em 2010 com realização de Mark Romanek.

“Nocturnos”, 2009
Amor, música e passagem do tempo são alguns dos temas que se encontram nos cinco contos que compõem “Nocturnos”. São sempre narrados por homens que contam histórias que nos levam às pizzarias italianas, apartamentos luxuosos em Nova Iorque ou às colinas de Malvern, no Reino Unido.

“O Gigante Enterrado”, de 2015
Axl e Beatrice são o casal de idosos que é central neste livro. Decidem ir à procura do filho que não vêem há muito tempo e de quem nem têm muitas recordações. Um história de memórias perdidas no tempo do Rei Artur onde existem também relatos de dragões.

O último livro de Ishiguro.
“A Canção Mais Triste do Mundo”, de 2003
Estamos em 1993, no tempo da Grande Depressão. Chester Kent é um empresário da Broadway falhado, e Narcissa a namorada que perdeu a memória. Regressam à cidade natal de Kent onde assistem ao concurso para eleger a canção mais triste do mundo.
É organizado por um uma cervejaria local e está a ser dirigido por Lady Port-Huntly, que foi amante de Chester Kent. A relação também envolvia o pai dele. Já o irmão de Chester, Roderick, é abandonado pela mulher, tudo isto enquanto se procura pela canção mais triste do mundo. O filme foi realizado por Guy Maddin e contou com as participações da portuguesa Maria de Medeiros, de Isabella Rossellini e Mark McKinney.

“A Condessa Russa”
Sofia é uma condensa russa que nos anos 30 se vê obrigada a sustentar a família. Trabalha num bar como dançarina. Jackson, um antigo diplomata, perde a família e é um homem desiludido com o mundo onde não encontra paz. Cria um clube noturno em Xangai, o The White Countess, onde tenta desligar-se do caos que o rodeia.

Fonte: https://nit.pt/coolt/livros/as-10-historias-deram-kazuo-ishiguro-nobel-da-literatura

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